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José Paulo Oliveira: Simples complexidade
Kevin Power
“O artista trabalha com todas as partes do poema como polissêmicas, compreendendo cada elemento da composição como gerador de significância, uma resposta e contribuição à construção de forma […] cada parte, na maneira em que for concebida enquanto membro de cada outra parte, tendo, como num móbile, um intercâmbio de papéis, através da criação de formas dentro de formas como lembramos.”
Robert Duncan: Bending the Bow (Flexionando o Arco)
Talvez seja evidente para as pessoas pensativas que a sociedade ocidental não tem mais um mito viável em funcionamento. Portanto, ela não tem base para afirmar a vida. Estamos perdendo as imagens e as histórias que construíram a continuidade daquilo que vem depois de nós. Nas chamadas culturas primitivas, é o xamã que fala pelos animais silvestres, os espíritos das plantas, os espíritos das montanhas, das bacias hidrográficas… No mundo xamânico, o selvagem e o inconsciente tornam-se análogos: quem conhece e está à vontade com um vai se sentir em casa com o outro. José Paulo Oliveira não assume nenhum papel xamanístico, mas estas são peças arcaicas, e, quando nós as olhamos, temos que buscar significados. Eu penso num colar sumeriano, nos objetos encontrados no delta do Nilo, onde a civilização se iniciou, e na cerâmica de populações indígenas ou nos potes de barro da Anatólia. Tudo que temos é interpretação e, embora estas formas pareçam nos chamar, também resistem a qualquer tentativa de apropriação sumária. Estas peças têm um potencial mitopoético, nos remetendo às tradições do Nordeste, do Ceará, de uma pobreza arraigada, na qual o ato de fazer era essencial não apenas para a sobrevivência, mas também para um exercício libertador da imaginação. Barro e madeira eram o que havia ao redor dessas pessoas, e desses materiais elas fabricavam seus artefatos. Essas tradições são, evidentemente, tão velhas quanto o próprio homem e nos levam quase inevitavelmente ao campo da interpretação mítica, não apenas do objeto e da função, mas também do homem e do mundo. Mas deixe-me esclarecer por completo que não se trata de uma nostalgia poética, não apenas de um retorno, e sim, acima de tudo, de um avanço. Estas obras são peças contemporâneas, e seus significados jazem em algum lugar no espírito do nosso tempo, algum lugar na inquietação das idéias que movem nossa imaginação contemporânea.
Quando o indaguei sobre as preocupações centrais nestas obras, o artista me falou que havia vínculos “com manipulação genética e biológica, com a ética e com a ideia da reprodução e os possíveis caminhos para a humanidade”. Oliveira não cede às declarações retóricas e não possui nenhum interesse em promover seus trabalhos com pretensão intelectual. Mesmo assim, essa é uma afirmação evocativa, para não dizer ambiciosa, expressa em termos redutivamente chamativos e gráficos. Essas questões permanecem muito amplas e difíceis de serem cabíveis na estrutura de uma só obra. Sabemos pelos escritos de Ferdinand de Saussure que o ato de nomear recua perpetuamente do referente pretendido e deixa um traço de significância dentro da cadeia de sentidos. Então o que eu pretendo buscar nessas afirmações quase monolíticas e “glaciais” são os traços poéticos.
As obras de arte que mais me interessam são, com toda probabilidade, aquelas que propõem uma reflexão sustentada sobre o pensamento humano. A Verdade e o Real permanecem além do alcance da linguagem e, portanto, fora do alcance do ser humano. Há uma beleza comovente que todos nós podemos sentir com estas palavras de William Bronk:
“Não há um eu
Ou um mundo a conhecer.
Há algo desconhecido”.
O que isso nos diz é para nos concentrarmos nas fissuras linguísticas, ou no que é indizível. Estas peças de José Paulo são imensas (não apenas em tamanho, mas como presença) e, num sentido, são tanto mudas quanto prenhas. Parecem fora do tempo, e, ao olhar para elas, de fato, colhemos traços de significância das fissuras. São metáforas para algo que não pode ser dito plenamente por entrar no abismo do indizível, onde o que é falado nunca diz o que tem para dizer ou o que quer dizer. Elas nos confrontam, silenciosas — legadas a nós pelos nossos antepassados como um conhecimento que requer poucas palavras ou, como totens daquilo que não sabemos, por invasores do espaço. O que temos aqui é ferro, barro e a construção como uma gaiola redonda. Esses nomes próprios, em si, ficam como apreensão instantânea de uma multiplicidade. Eles nos levam de volta aos começos primais; à ideia de fogo enquanto gerador de possibilidades: um homem fabricando seus requisitos básicos como questão de sobrevivência e de evolução.
Estas obras nos levam a uma estética e a uma ética de pobreza. Os dois termos, como Lenin nos diz, não podem ser separados. Alguns críticos têm visto uma estética de pobreza como definição-chave de diferença latino-americana — e que bem pode ser o caso —, mas seria até mais significativo se esses dois termos pudessem se confrontar como as forças energizantes de uma obra. José Paulo talvez tenha condições de ativar tal tensão: primeiro, ele mora no Nordeste e tem aguçada consciência das condições sociais e econômicas regionais (o campo depredado, a pobreza rural, o desemprego urbano); e segundo, ele tem um conhecimento de primeira mão dos artistas que ainda produzem a arte popular inventiva e cheia de graça que, independentemente da sua decadência contemporânea, permanece como registro profundo da imaginação de uma comunidade — algo passado de geração para geração, mas que ao mesmo tempo vem sempre se renovando.
Vivemos uma viagem para fora, um contato com nosso contexto imediato, mas apenas a viagem para dentro do indivíduo pode revelar que a realidade é composta de uma identidade do físico e do espiritual num relacionamento de igual interpenetração. Claude Lévi-Strauss resume tal relacionamento em Mito e Significado:
Se somos levados a crer que o que acontece na nossa mente é algo não substancial ou fundamentalmente diferente do fenômeno básico da vida em si e somos levados ao sentimento de que não há nenhuma espécie de lacuna impossível de atravessar entre a humanidade, por um lado, e todos os outros seres — não apenas os animais, mas também as plantas —, pelo outro, então talvez alcancemos mais sabedoria, digamos, de que pensamos que pudéssemos ter.
É latente nestas obras esse jogo entre o espiritual e o físico — o físico é sentido na sua mera presença e poderosa afirmação do ato de fazer, o espiritual acumula-se nas fortes reverberações da sua presença.
Mas, quando Oliveira fala da ética, de que ele está falando? Isso é um campo espinhoso e talvez onde as divergências de opinião sejam de grande porte e, até certo ponto, muitas vezes opostas. Mal precisa dizer que hoje confrontamos escolhas sem precedentes, cujas consequências são potencialmente desastrosas para a vida no planeta como nós a conhecemos, seja no nível da comida que ingerimos ou dos bebês que parimos, seja no plano da ecologia ou das estruturas organizativas na megalópole na qual, pela primeira vez na história do homem, a maioria da população está vivendo hoje em dia, seja nos planos da guerra, etnia, religião ou identidade. Não mais esperamos respostas dos políticos nem dos filósofos: sabemos estar mergulhados na incerteza e na ambivalência. Ultimamente, temos escutado as explicações das causas da crise econômica global e de como pode ser resolvida e, atônitos, temos escutado também a patente falência de ideias. Políticos e economistas parecem ter apenas uma resposta: dar fiança ao mesmo sistema bancário que tem sido, em si, e permanecerá como, uma das maiores, se não a maior, causas da atual crise e daquelas que inevitavelmente seguirão. Há, acredito, princípios compartilhados e consensuais, mas o que chamamos de moralidade vem dos indivíduos e não pode ser legislado de fora. É de seguir a sugestão de Baumann, uma prática negociada — negociada, por um lado, por ágeis agentes aprendizes, capazes de crescer, e, pelo outro, por uma sociedade capaz de mudar. É através do indivíduo que as sociedades podem ser formadas e sua sobrevivência — seja qual for o grau de bem-estar e felicidade — garantida.
Problemas não têm soluções predeterminadas. Não existem princípios que possam servir como referenciais absolutos. As coisas podem dar errado, e frequentemente isso acontece. A realidade humana é desordeira e ambígua. Poucos de nós seríamos capazes de definir, se formos indagados, os princípios governantes. Tudo em que tendemos a acreditar é que a desordem durará, apesar de tudo que saibamos ou façamos, e que os pequenos sistemas de ordem que elaboramos são frágeis e arbitrários, tanto quanto as opções que propõem. Reconhecer essas coisas é ser muito moderno ou pós-moderno, ou, para dizê-lo de outra maneira, ser do nosso tempo. A pós-modernidade é modernidade sem ilusões. Permitiu que fôssemos re-encantados com o mundo após a longa luta modernista para impor uma ordem. Simpatias e lealdades inexplicáveis foram legitimadas mais uma vez, inclusive aquelas irracionais que não podem ser descritas em termos da sua utilidade ou função. O mistério não é mais um estranho; isso é um mundo onde as coisas acontecem sem causa evidente que as faça necessárias. Aprendemos a viver com eventos e atos que, além de impossíveis de explicar, são inexplicáveis a partir daquilo que sabemos sobre o que sabemos. Na realidade, pode se dizer que esses fenômenos jazem no centro do dilema humano; hoje aceitamos que nem todas as ações, nem mesmo as mais importantes, precisam de justificativa ou explicação satisfatória. Ainda assim, acredito que o princípio esteja dentro de nós desde o começo e que precisa urgentemente ser repersonalizado, ou seja, assumido enquanto responsabilidade e como presença discursiva. A ética é não racional no sentido de que não precisa passar no teste de utilidade ou do que hoje provavelmente chamaríamos de lucro. Os princípios éticos, como as formas redutivas de José Paulo, são simples e básicos na sua forma; não fazem piruetas nem dançam com quem primeiro chegar. Estão ali imutavelmente, como um primeiro princípio cujo nome nunca soubemos, mas cuja validade reconhecemos instintivamente. Com toda probabilidade, precisamos agora apoiar essas proposições do lado de fora, objetivamente, mas tal apoio invariavelmente fracassa, ou não pode ser mantido, e somos remetidos de volta para nós mesmos. Quando assumimos esse papel e quando agimos como consequência, estamos literalmente falando com os outros.
Poderíamos dizer que estas formas circulares evocam um espaço que é inexpressivo e vazio, a não ser da maneira em que o delimitamos e o moldamos pela nossa própria ocupação mental? Este não é o círculo de Sartre do inferno individual nem o hermenêutico de Heidegger; é mais velho que isso, é arquetípico, e os nomes que podemos dar-lhe não são nomes absolutos. Cansamos ao buscar dar-lhe sentidos. Porém, o círculo permanece, e, dentro dele, feito esfinge, há uma questão que se coloca. Buscamos coisas como que para encontrar nosso próprio lugar dentro dessas ordens, mas finalmente não falamos por elas. Coabitamos um espaço discursivo incerto quanto a qualquer resolução final. Olhamos para estas peças, para o que parece uma simplicidade elementar, mas não temos certeza. Sentimos a tensão entre a língua e o pensamento, mas também temos consciência de que essa tensão não pode penetrar as profundezas do Real.
Estas obras são geradoras de metáforas. Talvez seja este seu poder essencial, uma vez que metáfora é uma “entrada” mística para a língua e para o rapport entre a língua e nós. Tem um lugar misterioso entre o mundo existencial e a língua. Pode ser a única maneira para que possamos ter uma reprodução da nossa experiência e nosso relacionamento ao mundo externo. José Paulo está tornando os objetos conscientes de que só podemos nos aproximar através da metáfora. É um impulso poético. José Paulo não está propondo, a meu ver, leituras específicas; ele não está fazendo equações ou símiles, e sim proporcionando estruturas de pensamento, dentro das quais ele trabalha ao fazer as peças. Ele está estabelecendo pontos de acesso à aventura intelectual de não saber, como se extraísse das coisas seu potencial e o fizesse porque os potenciais se tornaram urgências no nosso cotidiano. O que ele sente é que suas escolhas são efetivas por fim, que abrem permissões a um processo interpretativo que nos remete às primeiras coisas e também às imaginações exploratórias da nossa época.
Ele observa que “ a origem destas obras está na pesquisa que iniciei em 2001 com relação às cerâmicas que estavam sendo produzidas na região. Visitei várias oficinas de cerâmica com a intenção de conhecer mais as formas mais puras, mais básicas e mais simplificadas disponíveis para essa técnica — cilíndrica, oval e cônica; forma produzida numa só queima de um fogão de lenha, como era a norma nessas oficinas. Ao mesmo tempo, me interessei pela genética e manipulação biológica, pela ética e reprodução, formas biológicas e microscópicas, sendo de laboratório ou planetárias (macro ou microcosmos). As peças a serem mostradas na Bienal constituem cinco formas de ferro circulares. Lembram estruturas moleculares ou componentes microcelulares biológicos. Seu desenho é simples, e as linhas geométricas sugerem formas de computadores. Os elementos de cerâmica são mais orgânicos e parecem centenas de ovos, ou células, ou microelementos. Sinto uma tensão criada entre esses dois elementos, ferro e argila. Ambos são materiais rústicos e arcaicos, mas podem servir para discutir questões verdadeiras.”
Desconfio que, mesmo no que parece uma construção formalística, há mais do que o olho enxerga; o caos certo e a indefinição certa são conjuntamente necessários para uma efetiva harmonia. E este pode bem ser o ponto em que comecemos a avançar, rumo a uma consciência de sentido.
E a insistência de José Paulo sobre a genética é também, evidentemente, metafórica. A genética é hoje uma questão central e põe questões tanto filosóficas como éticas. A compreensão do código de DNA tem aberto uma série de questões prementes e possibilidades que precisam urgentemente ser discutidas — questões como a clonagem, cereais transgênicos (em que a semente pode ser modificada para evitar doenças), a utilização de células femininas, células-mães, para pesquisa, as opções para predeterminar o sexo de uma criança, o uso da inseminação artificial e muito mais. A genética e a neurologia estão empurrando as fronteiras da compreensão humana e mais significantemente: o que é possível pode ser bem além do que é desejável. Queremos uma raça que parece com seu pai ou com o cara mais bonito do quarteirão? Essas são questões que se sobrepõem em muitos campos, inclusive, obviamente, no campo da ética e da jurisprudência. A genética implica na ciência da hereditariedade e da variação em organismos vivos.
O que vejo nestas peças não é tanto, é claro, uma ilustração, e sim uma sugestão do maravilhoso funcionamento desse código. O DNA ocorre naturalmente na forma de um fio de cadeia dupla, com nucleotídeos em cada cadeia complementários um ao outro. Cada cadeia pode servir de modelo para criar novo par na cadeia dupla — esse é o método físico para fazer cópias de genes hereditárias. Uma mudança no DNA num gene pode mudar os aminoácidos de uma proteína, mudando seu formato e função: isso pode ter um efeito dramático sobre a célula e sobre o organismo como um todo.
A ciência moderna da genética tem suas origens com Gregor Mendel, um monge agostiniano alemão-tcheco e cientista (pelo amor de Deus!) que estudou a natureza da hereditariedade nas plantas. Ele mostrou que os traços são constituídos por combinações de genes distintos, e não por uma combinação contínua. Mendel descreveu esses traços matematicamente, assim sugerindo que a hereditariedade é particulada, não adquirida, e que os padrões hereditários de muitas características poderiam ser explicados através de regras e razões simples.
No entanto, foi somente em 1953 que James Watson e Francis Crick finalmente determinaram a estrutura do DNA, indicando que ela possui uma estrutura helicoidal parecida com um saca-rolha. Seu modelo hélice-duplo tem dois fios de DNA com os nucleotídeos voltados para dentro, cada um correspondendo a um nucleotídeo complementar no outro fio para formar o que parecem degraus numa escada enrolada. Essa estrutura mostrou que as informações genéticas existem na sequência de nucleotídeos em cada cadeia de DNA e também sugere um método simples para duplicação.
Embora a estrutura de DNA mostre como funciona a hereditariedade, ainda não era sabido como o DNA influenciava o comportamento das células. Nos anos seguintes, os cientistas tentaram compreender como o DNA controla o processo de produção proteica e descobriram que a célula usa o DNA como modelo para criar um mensageiro correspondente, o RNA (uma molécula com nucleotídeos muito similares aos de DNA). Então deixe-me dizer que, dentro das células de barro de José Paulo, a evolução continua: o barro tem sido queimado. Pense no Le Cru et Le Cuit, de Levi-Strauss, ou na história de Ortiz da cana-de-açúcar e do tabaco!
Os genes são alinhados pela extensão das longas cadeias de sequência de DNA, chamadas cromossomos. No caso de bactérias, cada célula tem um único cromossomo circular, enquanto as plantas e os animais têm seu DNA arrumado em múltiplos cromossomos. Essas cadeias de DNA são muitas vezes bastante longas; o maior cromossomo humano, por exemplo, tem o cumprimento de cerca de 247 milhões de pares de base. Esses dados são fatos, mas permanecem impressionantes até para a nossa imaginação.
Eu menciono tudo isso porque acho que seja intuído no trabalho de José Paulo que estas peças carregam esse peso metafórico, mas que elas também abrigam isso dentro da sua ambiguidade essencial. Ou, para colocá-lo de outra maneira, a mente contemporânea pode fazer essas associações sem “fixá-las” como explicação única. Fazem parte dos sussurros de possibilidades. De fato, deixe que eu vá um pouco além: o trabalho contemporâneo abraça a contradição como essencial à sua própria verdade. Ele também sabe que, se for sobreviver enquanto imagem visual, precisa carregar mais que uma única leitura. Não estou sugerindo que Oliveira plante contradições deliberadamente, mas estou dizendo que ele se sente totalmente à vontade entre elas. Isso é o que o poeta Keats chamou capacidade negativa — a habilidade de conviver tranquilamente no meio de incertezas. Trata-se de uma característica profundamente romântica, traduzida de maneira mais pragmática por Whitehead como o princípio da incerteza no início do século 20. Em minha opinião, José Paulo se aproxima da ciência através de um olhar romântico que é pela ótica da incerteza poética. Acredito que muitas vezes a arte corre imaginativamente pelas mesmas linhas que a ciência, usando modelos imaginativos semelhantes que, ocasionalmente, conseguem antecipar as descobertas científicas. Lembro-me de um livro escrito por um biólogo inglês, Waddington, que compara o trabalho dos expressionistas abstratos gestuais às estruturas celulares visíveis sob o microscópio, mas não visíveis ao olho humano, e ainda assim esses padrões foram intuídos nos quadros.
O que espero ter podido sugerir é que José Paulo aceita um discorde essencial como necessário para a harmonia verdadeira — entre materiais e entre ideias — e que ele enfoca um processo como o caminho para frente, deixando o que Freud chamou de erros, ou desatenções, entrar como parte da experiência do trabalho. Permitam-me citar uma frase de um ensaio de Robert Duncan que ajuda a vincular a variação interpretativa que venho usando para falar do trabalho de José Paulo. Duncan insiste que esse processo exploratório não seja, evidentemente, uma questão de mera casualidade, mas da “Vontade Criativa que se manifesta em Forma, evoluindo no jogo dos padrões primordiais”. É esse senso do arcaico, porém real sentido de forma, que jaz no coração destas obras. Estas formas carregam dentro de si a mutação como potencial. José Paulo sabe que evoluíram e continuarão a evoluir.
Se eu consigo criar um paralelo com a retórica de José Paulo — e novamente estou falando do potencial daquilo escondido na possibilidade —, a arte tem a ver com nossa estória da psique, com um evento em processo que está acontecendo além da consciência humana, num reino de um mistério químico. Começamos a levar a identidade para além da personalidade ou psique ou espécies no próprio drama da biologia molecular, a crise da vida na matéria, e aqui a arte é dirigida pelas prioridades maiores, ou anteriores, de impulsos físicos assombrados pelas urgências moleculares que vemos aperfeiçoadas nos cristais, nas células e até mesmo na adequação transitória das ligações químicas. Estas obras, então, são movidas por desejo romântico, pela ânsia que se esconde a base da nossa espinha dorsal.
Bronk, W., Life Supports, Talisman House, New Jersey, 1997, p. 185.
Lévi-Strauss, C., Myth and Meaning, Schocken Books, N.Y., 1979, p. 24.
Duncan R., The Truth and Life of Myth, The Sumac Press, Michigan, 1973, p. 46.
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Jose Paulo Oliveira: Simple complexity
Kevin Power
“The artist … works with all parts of the poem as polysemous, taking each new thing of the composition as generative of meaning, a response and a contribution to the building of form … each part as it is conceived as a member of every other part, having, as in a mobile, an interchange of roles, by the creation of forms within forms as we remember”
Robert Duncan: Bending the Bow
It is perhaps evident to thoughtful people that Western society no longer has a viable functioning myth. It therefore has no basis to affirm life. We are losing the images and the stories that constructed the continuity of what comes after us. In so-called primitive cultures it is the shaman who speaks for wild animals, the spirits of plants, the spirits of mountains, of watersheds … In the shaman’s world wilderness and unconscious become analogous: he who knows one and is at ease in one, will be at home in the other. Jose Paulo Oliveira assumes no shamanistic role but these are archaic pieces and, when we look at them, we have to look for meanings. I think of a Sumerian necklace, of objects found in the delta of the Nile where civilization first begun, and of the pottery of indigenous populations or the clay pots of Anatolia. Interpretation is all we have and these forms seem to call us but they also resist any attempt at quick appropriation. These works have a mythopoeic potential – moving us back into the traditions of the North East, of the Ceara, of an engrained poverty where the act of making was essential not only to survival but also to a liberating exercise of the imagination. Clay and wood were what these people had around them and from those materials they fashioned their artefacts. These are, of course, traditions as old as man himself, and they lead us almost inevitably into levels of mythic interpretation, not only of object and function but also of man and world. But let me also make it absolutely clear that the issue is not one of poetic nostalgia, not simply a going back but above all a moving forward. These works are contemporary pieces and their meanings lie somewhere in the spirit of our time, somewhere in the itch of ideas that move our contemporary imagination.
When I asked him what his central preoccupations were in these works he told me that they have to do “with genetic and biological manipulation, with ethics and the idea of reproduction and the possible ways forward for mankind”. Oliveira is not given to rhetorical declaration and has no interest in bolstering up his work with intellectual pretense. Yet this is a highly evocative, not to say ambitious, statement, expressed in reductively attention-holding and graphic terms. These remain large issues that are difficult to squeeze into the framework of a single work. We know through the writing of Ferdinand de Saussure that the act of naming perpetually retreats from its intended referent and leaves a trace of meaning within the signifying chain. So what I shall look for in these almost monolithic and “glacial” affirmations are the traces, the poetic fall-out.
The art works that most interest me are, in all probability, those that propose a sustained reflection upon the boundaries of human thought. Truth and the Real remain beyond the ken of language and therefore outside the grasp of the human. There is a moving beauty that we can all feel to these words of William Bronk:
“There isn’t an I
Or a world to know.
There is something not known”
What this tells us is to concentrate on the fissures in language or on what is unspeakable. These pieces of Jose Paulo are immense (not just as size but as presence) and in a sense they are both mute and pregnant. They seem outside of time and looking at them we do indeed gather traces of meaning from the fissures. They are metaphors for something that cannot be fully said, for entering the chasm of the unspeakable where what is said never fully says what it has or wants to say. They confront us silent – bequeathed to us by our ancestors as a knowledge that needs few words or left by invaders from space as totems of what we do not know. What we have here is iron, clay, and a circular cage-like construction. These proper names stand in themselves as an instantaneous apprehension of a multiplicity. They take us back to primal beginnings, to the idea of fire as a generator of possibility: a man making his basic requirements as a matter of survival and evolution.
These works take us towards both an aesthetics and an ethics of poverty. The two terms, as Lenin told us, cannot be separated. Some critics have seen an aesthetics of poverty as a key definition of Latin-American difference and that may well be the case but it would be even more significant if these two terms could be brought into tension as the energizing forces of a work. José Paulo perhaps has the conditions to activate such a tension: firstly, he lives in the North East and is acutely aware of it social and economic conditions (the depleted countryside, the rural poverty, the urban unemployment); and secondly, he has a first-hand knowledge of the artists who are still producing the inventive and life-enhancing popular art that remains, whatever its contemporary decadence, a profound register of the imagination of a community – something that has been passed down but in its passing down has been continuously renovated.
We live an outward journey a contact with our immediate context but only the inward journey of the individual can reveal that reality is composed of an identity of the physical and the spiritual in an equal interpenetrating relationship. Claude Levi Strauss summarizes such a relationship in Myth and Meaning “If we are led to believe that what takes place in our mind is something not substantially or fundamentally different from the basic phenomenon of life itself, and we are led to the feeling that there is not the kind of gap which is impossible to overcome between mankind on the one hand, and all other living beings – not only animals, but also plants – on the other, then perhaps we will reach more wisdom, let us say, than we think we are capable of.” This play between the spiritual and the physical is latent in these works – the physical is felt in their sheer presence and powerful affirmation of the act of making, the spiritual is accumulated in the steady reverberations of their presence.
But when Oliveira talks of ethics what is it that he is talking about? This is a thorny ground and perhaps one where divergences of opinion are major and, to a certain degree, often opposed. It hardly needs saying that today we confront unprecedented choices whose consequences are potentially disastrous for life on the planet as we know it, whether at the level of the food we eat or the babies we give birth to, whether at the level of ecology or the organizing structures of life in the megalopolis in which for the first time in man’s history most of the population are now living, or whether at the levels of war, race, religion, and identity. We no longer expect answers from either politicians or philosophers: we know we are immersed in uncertainty and ambivalence. Lately, we have been listening to the explanations of the causes of the global economic crisis and how it can be resolved, and we have listened with astonishment to the patent bankruptcy of ideas. Politicians and economists seem to have but one answer: the bailing out of the very banking system which has itself been and will remain being a (if not the) major cause of the present crisis and of those that will inevitably follow. There are, I believe, shared and consensored ethical principles, but what we call morality comes from individuals and it cannot be legislated from outside. It is to follow Baumann’s suggestion, a negotiated practice – negotiated, on the one hand, by active apprentice agents who are capable of growth and, on the other, by a society capable of change. It is through the individual that societies can be formed and their survival – whatever the degree of well-being and happiness – assured.
Problems do not have predetermined solutions. There are no principles that can serve as absolute referentials. Things can and frequently do go wrong. Human reality is disordered and ambiguous. Few of us would be able to define, should we be asked, the governing principles. All we tend to believe is that the disorder will last, despite all we know or do, and that the small systems of order that we elaborate are fragile and arbitrary, as fortuitous as the options they propose. To recognize these things is to be postmodern or to say it another way to be of our time. Postmodernity is modernity without illusions. It has allowed us to be re-enchanted with the world after the long modernist struggle to impose an order. Inexplicable sympathies and loyalties have once again been legitimated, including irrational ones that cannot be described in terms of their utility or purpose. Mystery is no longer a stranger; this is a world in which things happen without having any evident cause that makes them necessary. We learn to live with events and acts that not only cannot be explained, but that are from what we know about what we know, inexplicable. Indeed, it might be said that they lie at the centre of the human predicament; we now accept that not all actions, not even the most important ones, need a justification or satisfactory explanation. Yet, I believe the ethical principle lies within us from the beginning and that it needs urgently to be repersonalized, that is to say assumed as responsibility and as discursive presence. Ethics are non-rational in the sense that they do not have to pass the test of utility or what today we would probably call profit. Ethic principles, like Jose Paulo’s reductive forms, are simple and basic in their form; they do not pirouette, neither do they dance with the first-comer. They are immutably there, like a first principle whose name we have never known but whose validity we instinctively recognize. In all probability, we now need to support these propositions from outside, objectively, but such support invariably fails or cannot be sustained, and we are thrown back on ourselves. When we assume this role and when we act in consequence, we are literally talking to others.
Could we say that these circular forms evoke a space that is featureless and empty except as we limit it and shape it by our own mental occupation? This is not the Sartrian circle of the individual hell, nor is it the Heideggerian hermeneutic circle; it is older than that, it is archetypal and the names we can give it are not absolute ones. We tire in the search to give it meanings. Yet the circle remains and within it there is a sphinx-like posing of question. We search for things as if to find our own place within these orders, but finally we do not speak for them. We co-inhabit a discursive space uncertain as to any final resolution. We look at these pieces, at what seems an elementary simplicity, but we are not sure. We feel the tension between language and thought but we are also aware that cannot penetrate the depths of the Real.
These works are generative of metaphors. That is perhaps their essential power since metaphor is a mystical entrée into language and into the rapport between language and us. It has a mysterious place between the existential world and language. It may be the only way we can get a reproduction of our experience and our relationship to the outside world. Jose Paulo is making objects aware that we can only approach through metaphor. It is a poetic impulse. Jose Paulo is not proposing, as far as I am concerned, specific readings; he is not making equations or similes but providing rather the frames of thought within which he was working in making the pieces. He is setting out access points to the intellectual adventure of not knowing, as if drawing from things their potential and doing do because thee potentials have become urgencies in our daily living. What he senses is that his choices are ultimately effective, that they open permissions to a rich interpretative process that takes us back to first things and also into the explorative imaginations of our time.
He notes that the origin of these works lies in “the research I engaged upon in 2001 with regards the ceramics that were being produced in the region. I visited several ceramic workshops with the intention of becoming more acquainted with the purest, most basic, and most simplified forms available to this technique – cylindrical, oval, and conic; form produced in a single burning from a wood oven as was the norm in these workshops. At the same time I became interested in genetics and biological manipulation, ethics and reproduction, biological and microscopial forms, whether from a laboratory or planetary (macro or microcosmos). The pieces that will be shown in the Biennale consist of five circular iron forms. They make one think of molecular structures or biological microcellular components. Their design is simple and the geometric lines suggestive of computer forms. The ceramic elements are more organic and appear as hundreds of eggs, or cells, or microelements. I feel that these two elements iron and clay create a tension. Both are rustic and archaic materials but they can be used to discuss actual issues.” I suspect that in even what appears as a formalist construction there is more than meets the eye, the right chaos and the right vagueness are jointly required for any effective harmony. And that may well be the point where we begin to work towards an awareness of meaning.
And Jose Paulo’s insistence on genetics is also, of course, metaphorical. Genetics is a central issue today and poses questions that are both philosophical and ethical, the understanding of the workings of the DNA code has opened up a whole series of urgent questions and possibilities that need urgently to be discussed – issues such as cloning, transgenic cereals where the seed can be modified to prevent disease, the use of female cells (celulas madre) for research, the options to predetermine the sex of a child, the use of artificial insemination, and many more. Genetics and neurology are pushing at the frontiers of human understanding and more significantly what is possible may well be way ahead of what is desirable. Do we want a race that looks, if not like their father, like the best looking guy on the block! These are issues that overlap into many fields including, of course, ethics and the law. Genetics means the science of heredity and variation in living organisms. What I see in these pieces is not so much, of course, an illustration but a suggestion of the wondrous workings of this code. DNA naturally occurs in a double stranded form, with nucleotides on each strand complementary to each other. Each strand can act as a template for creating a new partner strand – this is the physical method for making copies of genes that can be inherited. A change to the DNA in a gene can change a protein’s amino acids, changing its shape and function: this can have a dramatic effect in the cell and on the organism as a whole.
The modern science of genetics traces its roots to Gregor Mendel, a German-Czech Augustinian monk and scientist (for God’s sake!) who studied the nature of inheritance in plants. He showed that traits are composed of combinations of distinct genes rather than a continuous blend. He described these traits mathematically, thus suggesting that heredity is particulate, not acquired, and that the inheritance patterns of many traits could be explained through simple rules and ratios.
Yet, it was not until 1953 that James Watson and Francis Crick finally determined the structure of DNA indicating that it had a helical structure shaped like a corkscrew. Their double-helix model had two strands of DNA with the nucleotides pointing inward, each matching a complementary nucleotide on the other strand to form what looks like rungs on a twisted ladder. This structure showed that genetic information exists in the sequence of nucleotides on each strand of DNA and it also suggests a simple method for duplication.
Although the structure of DNA show how inheritance works, it was still not known how DNA influences the behavior of cells. In the following years, scientists tried to understand how DNA controls the process of protein production and they discovered that the cell uses DNA as a template to create a matching messenger, RNA (a molecule with nucleotides that is very similar to DNA). So let me say that inside Jose Paulo’s clay cells evolution continues: the clay has been fired. Just think of Levi Strauss’s Le Cru et Le cuit or Ortiz’s story of cane sugar and tobacco!
Genes are arranged linearly along long chains of DNA sequence, called chromosomes. In the case of bacteria, each cell has a single circular chromosome, while plants and animals have their DNA arranged in multiple linear chromosomes. These DNA strands are often very long; the largest human chromosome, for example, is about 247 million base pairs in length. These are facts but they remain imaginatively astounding.
I mention all of this because I think it is intuited in Jose Paulo’s work, that these pieces carry this metaphorical weight but that they also ensconce it within their essential ambiguity. Or, to put it another way, the contemporary mind can make these associations without settling on them as a single explanation. They are part of the murmur of possibilities. Indeed, let me move a little further, the contemporary work espouses contradiction as essential to its own truth. It also knows that if it is to survive as a visual image it needs to carry more than one reading within it. I am not suggesting that Oliveira deliberately plants contradictions but I am saying that he feels totally at ease among them. This is what Keats called negative capability – the ability to live at ease amidst uncertainty. It is a profoundly Romantic trait, translated more pragmatically by Whitehead as the uncertainty principle early in 20th century. Jose Paulo, in my opinion, approaches science through a romantic gaze that is through the optics of poetic uncertainty. I believe that art often runs imaginatively along the same lines as science, using similar imaginative models that, on occasion, are able to pre-empt scientific discovery. I recall a book by an English biologist, Waddington, who compared the work of gestural abstract expressionists to cell structures that were visible under the microscope but not visible to the human eye and yet these patterns were intuited in the paintings.
What I hope I have been able to suggest is that he accepts an essential discord as necessary for true harmony – between materials and between ideas – and he focuses on process as a way forwards, letting what Freud called mistakes or inattentions to enter as part of the experience of the work. Let me quote a phrase from an essay of Robert Duncan that helps link together the interpretive range I have been using to talk of Jose Paulo’s work. Duncan insists that this explorative process is not, of course, a matter of mere chance but of the “Creative Will that realizes Itself in Form evolving in the play of primordial patterns.” It is this sense of the archaic but actual meaning of form that lies at the heart of these works, these form carry mutation as a potential within them. Jose Paulo knows that they have evolved and will continue to do so.
If I can match Jose Paulo’s rhetoric – and again I am talking of potential of what lies hidden in possibility – art has to do with our psyche story, with an event in process that is taking place beyond human consciousness in a realm of a chemical mystery. We begin to take identity beyond personality or psyche or species in the very drama of molecular biology, the crisis of life in matter, and here art is directed by higher or prior claims of physical impulses haunted by the molecular urgencies we see perfected in crystals, in cells, and in the even transient fittingness of chemical bonds. These works, then, are moved by romantic desire, by the longing that lurks at the base of our spine.
Kevin Power
2. O começo destes trabalhos se deu dentro de uma pesquisa que realizei com a cerâmica em 2001. Visitei várias olarias (oficinas de cerâmica) com o objetivo de me aproximar das formas mais puras, básicas e simplificadas que essa técnica permitia – as formas cilíndricas, ovais e cônicas; e a mono queima, queima à lenha (madeira) oferecida por essas oficinas. Paralelamente com essa pesquisa surgiu a preocupação com a genética e a manipulação bio lógica, a ética e a reprodução, as formas biológicas e as microscópicas, as peças de laboratório e os planetas. (macro e microcosmos). As peças a serem mostradas na Bienal são cinco esculturas em ferro em forma circular. Elas remetem à idéia de estruturas moleculares ou componentes micro celular: biológicos.
Seu desenho è simples e feito por linhas geométricas que sugerem desenhos computadorizados. A cerâmica entra como o elemento mais orgânico, são centenas de ovos, ou células, ou micro-elementos. O encontro com os dois elementos: ferro e cerâmica cria uma tensão. Ambos são materiais rústicos e arcaicos. Porem são utilizados para discutir assuntos atuais.
A preocupação central desta obra é a discussão sobre: manipulação genética e biológica; ética e reprodução e os possíveis caminhos da humanidade.
Bronk, W., Life Supports, Talisman House, New Jersey, 1997, p.185
Levi Strauss, C., Myth and Meaning, Schocken Books, N.Y., 1979, p.24
J,P, e-mail correspondence.
Duncan R., The Truth and Life of Myth, The Sumac Press, Michigan, 1973, p.46
es
José Paulo Oliveira – La complejidad sencilla
Kevin Power
“El artista trabaja con todas las partes de un poema como polisémico, considerándose que cada parte nueva de la composición sea generadora de significado, una respuesta y una contribución a la construcción de la forma. Cada parte es concebida como un miembro de otra parte, entonces, como un móvil, hay un intercambio de papeles, con la creación de formas dentro de otras formas, como lo recordamos.”
Robert Duncan: Bending The bow
Tal vez sea evidente a las personas atentas/intelectuales que la sociedad occidental no tiene más un mito viable funcionando. Por lo tanto no hay bases para sostener la vida. Estamos perdiendo las imágenes y las historias que construyeron la continuidad de lo que nos sucede. En las culturas llamadas de primitivas es el Shaman quien habla por los animales salvajes, los espíritus de las plantas, los espíritus de las montañas y los espíritus de las cuencas. En el mundo Shaman el desierto y el inconsciente se tornan análogos. Aquél que conoce a uno, luego, se siente relajado en uno y se sentirá cómodo en el otro. José Paulo Oliveira no supone ningún papel shamantico pero son piezas arcaicas, cuando las miramos, tenemos que buscar los significados. Pienso en un collar sumeriano, de los objetos encontrados en el delta del Nilo donde la civilización empezó, además de la cerámica de las poblaciones indígenas o los tarros de arcilla de Anatolia. La interpretación es todo lo que tenemos, y estas formas parecen llamarnos, pero ellas también se oponen a cualquier intento de apropiarse rápidamente. Estos trabajos tienen un potencial mito poético, luego volvemos a las tradiciones del nordeste de Ceará, con la pobreza engrained donde el acto de hacer fue esencial no sólo para sobrevivir pero también como un ejercicio de liberación de la imaginación. Arcilla y madera eran los materiales que estas personas tenían cerca, los usaron para fabricar los artefactos. Estas tradiciones son tan antiguas como el propio hombre, y nos lleva de manera casi inevitable a niveles de interpretaciones míticas, no sólo del objeto y la función pero también del hombre y del mundo. Hace falta que yo lo ponga bien claro, la cuestión no es la nostalgia política, no solamente una vuelta, pero principalmente un avanzo. Estos trabajos son piezas contemporáneas y sus significados se ubican en algún lugar de nuestro tiempo, en alguna parte del picor de las ideas que mueven nuestra imaginación contemporánea.
Cuando le pregunté cuales eran sus preocupaciones centrales en estos trabajos, me dijo que tenían de ver con la manipulación genética, con la ética y la idea de reproducción, además de maneras para el desarrollo de la humanidad: Oliveira no suele hacer declaraciones retóricas y no tiene ningún interés en reforzar su trabajo con una pretensión intelectual. Todavía ésta es una declaración sumamente evocativa, por no decir ambiciosa expresada en términos gráficos y sostiene la atención de manera reducida. Entonces, cuestiones importantes permanecen difíciles de apretujarse dentro del marco de un solo trabajo. Sabemos por los escritos/trabajos de Ferdinand de Saussure que el acto de nombrar continuamente se retira de su referente previsto, dejando un vestigio de significado dentro de la cadena significante. Luego, lo que debo buscar en estas afirmaciones casi monolíticas y “glaciales” son los vestigios, fallos poéticos.
Los trabajos artísticos que me interesan más son aquellos que proponen una reflexión sostenida sobre límites del pensamiento humano. “La verdad y el real permanecen más allá del conocimiento del lenguaje y por lo tanto fuera de la comprensión humana. Hay una hermosura conmovedora que podemos sentir en estas palabras de William Bronk:
“No hay un yo
Ni un mundo a conocer.
Hay algo desconocido” 1
Estas palabras nos dice que debemos concentrarnos en la rajas del lenguaje o en lo que es indecible. Estas obras de José Paulo son inmensas (no solamente en tamaño pero también en presencia), en el sentido de que están ambos mudo y cargados de significados. Parecen fuera del tiempo y mirándoles logramos coger vestigios de significados de las grietas. Éstas son metáforas para algo que no se puede decir por completo, por entrar el abismo del indecible donde lo que se dice nunca significa lo que se quiere decir o tiene que decir. Ellos nos hacen frente silenciosamente – que nos fue cedido por nuestros ancestrales como un conocimiento que necesita pocas palabras o nos fue dejado por invasores extraterrenos como tótem de lo que no sabemos. Lo que tenemos aquí es hierro, arcilla, y una construcción circular parecido con una jaula. Estos nombres propios son aprehensión de la multiplicidad instantánea. Nos llevan al inicio primitivo, a la idea del fuego como el generador de la posibilidad: un hombre haciendo sus exigencias básicas como una cuestión de supervivencia y evolución.
Estos trabajos nos llevan hacia una estética y ética de la pobreza. Los dos términos, como Lenin ha dicho no pueden ser separados. Algunos críticos han visto una estética de pobreza como una definición llave de la diferencia latino americana, eso puede ser el caso, aunque seria más significante si estos dos términos podrían ser puestos en la tensión como fuerzas energéticas de una obra. Tal vez José Paulo tenga las condiciones de activar esta tensión: En primer lugar, él vive en el nordeste del país y tiene consciencia de sus condiciones sociales y económicas (el paro urbano, la pobreza rural, la zona rural agotada); en segundo lugar, él tiene en primera mano el conocimiento de los artistas que aún están produciendo el arte popular que realza la vida además de ser inventiva, esto permanece independiente de su decadencia contemporánea, un registro profundo de la imaginación de la comunidad – algo que ha sido repasado, aún ha sido renovado durante este proceso.
Vivimos en un viaje exterior que es un contacto con nuestro contexto inmediato, pero solamente el viaje interior del individuo puede revelar que la realidad es compuesta de una identidad del estado físico y espiritual en una relación inter penetrante. Claude Levi Strauss resume esta relación en Myth and Meaning (Mito y Significado). “ Se nos llevan a creer que lo que ocupa nuestra mente es algo que no es diferente substancialmente o fundamentalmente del fenómeno básico de la propia vida, y somos influenciados por el sentimiento que no hay un tipo de hueco que es imposible de superar entre la humanidad y los otros seres vivos – no solamente los animales pero también las plantas – por otro lado, tal vez alcanzaremos más sabiduría de lo que creamos ser capaces, permítanos decir eso”1 La obra entre el espíritu y el físico es latente en estos trabajos – El físico en su presencia alegre y afirmación poderosa en el acto de hacer, el espíritu está acumulado en una resonancia estable de su presencia.
Pero cuando Oliveira habla sobre ética, entonces ¿Qué es esto de que está hablando él? Es un terreno delicado y tal vez uno donde las diferencias de opinión son grandes, hasta un cierto nivel, frecuentemente opuestas. Difícilmente hace falta decir que hoy nos hacemos frente a elecciones sin precedente cuyas consecuencias son potencialmente desastrosas para la vida en el planeta como la conocemos, sea a nivel de la comida que comemos sea los niños que parimos; sea a nivel de la ecología sea las estructuras organizadas de la vida en las megalópolis en las cuales la mayoría de la población humana vive ahora por primera vez en la historia de la humanidad; sea a niveles de guerra, raza, religión e identidad. No más esperamos las respuestas de los políticos o los filósofos: sabemos que estamos inmersos en la incertidumbre y la ambivalencia. Recientemente, hemos escuchado a las explicaciones de las causas de la crisis económica global y como todo puede ser resuelto, además hemos escuchado con sorpresa a la bancarrota patente de ideas. Los políticos y los economistas parecen tener solo una respuesta: Sacando de apuros el sistema bancario que ha sido y seguirá siendo la mayor causa de la crisis actual y de las que inevitablemente van a venir. Creo que hay principios éticos compartidos y consenso, todavía lo que llamamos de moralidad viene de los individuos y no puede ser legislado desde el exterior. Debe seguir la sugerencia de Baumann, la práctica negociada – negociada, por un lado, por los agentes aprendices activos que son capaces de crecer y, por otro lado, por la sociedad capaz de cambiar. Es a través del individuo que las sociedades pueden ser formadas y su supervivencia – cualquier que sea el nivel de bien estar y felicidad – asegurada.
Los problemas no tienen soluciones predeterminadas. No hay principios que puedan servir como referencias absolutas. Las cosas pueden y frecuentemente van mal. La realidad humana es desorganizada y ambigua. Pocos serian capaces de definir los principios del gobierno, si fuesen preguntados. Todo lo que tenemos la tendencia de creer que el desorden durará, a pesar de todo que lo sabemos o hacemos, y que los sistemas de orden pequeños que elaboramos son frágiles y arbitrarios, tan fortuito como las opciones propuestas. Para reconocer estas cosas debe de ser post moderno o poniendo de otra manera, ser de nuestro tiempo. La post modernidad es la modernidad sin ilusión. Nos ha permitido ser encantados otra vez con el mundo después de la lucha modernista larga para poner un orden. Compasiones y lealtades inexplicables han sido legitimadas más una vez, incluyéndose las irracionales que no pueden ser descritas in términos de su utilidad y propuesta. El misterio no es más un extraño, éste es un mundo en que cosas pasan sin tener ninguna causa evidente que las hagan necesarias. Aprendemos a vivir con los eventos y los actos que tampoco puede ser explicado, además están lejos de que sean las cosas que conocemos como inexplicables. Realmente, puede ser dicho que ellos se ubican en el centro del predicamento humano; ahora aceptamos que ni todas las acciones, tampoco las más importantes, necesitan de una justificativa o explicación satisfactoria. Aún, creo que el principio ético se ubica dentro de nosotros desde el comienzo y que hace falta ser personalizado otra vez con urgencia, o sea asumiéndose como responsabilidad y como presencia discursiva. La ética es irracional en el sentido de que no tienen que aprobar el teste de utilidad o lo que probablemente llamamos, hoy en día, de ganancia.
Los principios éticos, como las formas reducidas de José Paulo, son sencillos y básicos en su forma; Ellos no hacen piruetas tampoco bailan con los primeros que llegan. Ellos están allá inmutablemente, como un primer principio cuyo nombre no lo sabemos pero su validad la reconocemos instintivamente. En todas las probabilidades, ahora necesitamos apoyar estas proposiciones desde el exterior, objetivamente, aunque este apoyo pueda invariablemente fallar o no pueda ser sostenido, luego somos lanzados hacia nosotros mismos Cuando asumimos este papel y actuamos consecuentemente, estamos literalmente hablando con los otros.
¿Podríamos decir que estas formas circulares evocan un espacio que es vacío y sin características excepto como lo limitamos y formamos vía nuestro propio trabajo mental? Éste no es el círculo de Sartrian del infierno individual, tampoco es el círculo hermenéutico de Heideggerian, es más viejo que eso, es un arquetipo y los nombres que lo damos no son absolutos. Nos cansamos en la búsqueda de dale significados. Aún el círculo permanece y hay en éste una esfinge de cuestiones. Buscamos por cosas como se quisiéramos encontrar nuestro lugar dentro de estos ordenes, todavía no hablamos sobre ellos finalmente. Cohabitamos un espacio discursivo incierto de alguna resolución final. Miramos estas piezas, que parecen una simplicidad elementaría, aún no estamos seguros. Sentimos la tensión entre el lenguaje y el pensamiento, pero tenemos consciencia que no se puede penetrar los profundizas del Real.
Estos trabajos son metáforas generativas. Tal vez su fuerza esencial desde que la metáfora es algo místico en el idioma, en el informe entre nosotros y el lenguaje. Hay un lugar misterioso entre el mundo existente y el lenguaje. Tal vez sea la única manera de lograr una reproducción de nuestra experiencia y nuestra relación con el mundo exterior. José Paulo está haciendo objetos consciente de que solamente podemos acercarnos a través de la metáfora. Es un impulso poético. José Paulo no está proponiendo lecturas específicas, por lo que sé; él no está haciendo ecuaciones o algo semejante, pero nos ofrece no solo estructuras de pensamiento en lo que él estaba trabajando. Él nos ofrece puntos de acceso a la aventura intelectual del desconocido, como si dibujásemos cosas del potencial, además de hacerlo porque los potenciales si han convertidos en urgencias en nuestra vida diaria. José Paulo siente que sus elecciones son bastante efectivas, que permiten un proceso interpretativo rico, llevándonos de vuelta al pasado, además de nuestra imaginación exploradora en la actualidad.
José Paulo nos dice que el origen de estos trabajos está en la “investigación que hice en 2001 con relación a la cerámica producida en la región. Visité muchas oficinas de cerámica con la intención de familiarizarme con lo más puro, lo más básico, y las formas más sencillas, de esta técnica, disponibles- cilíndrico, oval y cónico; la forma producida en una quemada sencilla hecha en un horno de madera, como era la norma en estas olerías. Mientras yo estaba interesado en la manipulación genética y biológica, la ética y la reproducción, formas biológicas y microscópicas, sea de laboratorio o planetario (macro o microcosmos). Las piezas que van a ser mostradas en la Biennale consisten de 5 formas de hierro circulares. Ellas nos hacen pensar en estructuras moleculares o componentes micro celulares biológicos. Su diseño es sencillo y las líneas geométricas son sugerencias de formas computadorizadas. Los elementos de la cerámica son más orgánicos y aparecen como centenas de huevos, o células, o hasta micro elementos. Siento que estos dos elementos hierro y arcilla crean una tensión. Ambos son materiales rústicos y arcaicos, pero poden ser usados en la discusiones de cuestiones actuales1”. Creo que hasta en lo que parece ser construcción formalista, hay más de lo que uno puede darse cuenta, el caos correcto y la imprecisión son requeridos igualmente para una armonía efectiva. Luego, éste debe de ser el punto donde empezamos a trabajar hacia una consciencia del significado.
Además, la insistencia de José Paulo con relación a la genética es también metafórica, la genética es una cuestión central hoy que lleva a cuestiones tanto filosóficas como éticas, la comprensión de los trabajos sobre el código ADN abrió una serie de cuestiones y posibilidades urgentes que necesitan ser discutidas muy pronto – cuestiones tales como la clonación, cereales transgenicos cuyas semillas pueden ser cambiadas a fin de prevenir enfermedades, el uso de células madres en la investigación, las opciones de predeterminar el sexo de un niño, el uso de la inseminación artificial, y mucho más. La genética y la neurología están presionando las fronteras de la comprensión humana, además de enseñar que aquello que pude ser posible puede está más allá de lo que se desea. ¿Queremos una raza que parece, sino con su padre, pero como el chico más guapo del pueblo? Estas son las cuestiones que se superponen en muchas áreas incluyéndose, naturalmente, la ética y la ley. La genética significa la ciencia de la herencia y de la variación de los organismos vivos. Lo que veo en estas obras no sólo una ilustración pero una sugerencia del trabajo maravilloso sobre este código. El ADN ocurre naturalmente en forma prendida doble, con los nucleótidos en cada hilo complementándose uno al otro. Cada hilo puede actuar como una copia permitiéndose crear un nuevo hilo en parejas – éste es el método físico para hacer copias de genes que pueden ser heredados. Un cambio en el ADN en un gene puede cambiar las proteínas del amino ácido, cambiando su forma y función: esto puede provocar un efecto dramático en la célula además del organismo como un todo. La raíz de la ciencia moderna de la genética se origina en Gregor Mendel, un monje agustino Checo alemán y científico que estudió la naturaleza de la herencia en las plantas. Él enseñó que los rasgos son compuestos por la combinación de genes distintos y no una mezcla continua. Él describió aquellos rasgos matemáticamente, así sugiriendo que la herencia sea particular, no adquirida, y que los modelos de herencia de muchos rasgos podrían ser explicados a través de reglas y razones sencillas.
Aún, solamente después de 1953 que James Watson y Francis Crick determinaron, por fin, la estructura del ADN indicando que tenía una estructura helicoidal parecida con un sacacorchos. Su modelo de hélice doble tenía dos filamentos de ADN con los nucleótidos apuntando hacia adentro, cada uno emparejándose a un nucleótido complementario en el filamento para formar lo que parece escalones en una escalera torcida. Esta estructura enseñó que la información genética existe en la secuencia de nucleótidos en cada filamento de ADN, además también sugiere un método sencillo de duplicación.
Aunque la estructura del ADN enseñe como la herencia funciona, aún no era conocido como el ADN influencia el comportamiento de las células. En los años siguientes, los científicos intentaron comprender como el ADN controla el proceso de producción de proteínas y descubrieron que la célula usa el ADN como una plantilla para crear un mensajero RNA ( una molécula con nucleótidos que es similar al ADN) . Luego, permítanme decir que dentro de las células de arcilla de José Paulo, la evolución continúa: La arcilla ha sido dimitida. Sólo piense en Levi Strauss’s Le Cru et Le cuit o la historia de Ortiz sobre la caña de azúcar y el tabaco!
Los genes son organizados de manera linear a lo largo de las largas cadenas de secuencias de ADN, llamadas cromosomas. En el caso de la bacteria, cada célula tiene una cromosoma circula, mientras las plantas y los animales tienen sus ADN organizadas en cromosomas lineares múltiplas. Estos filamentos de ADN son frecuentemente muy largos: el cromosoma humano más largo, por ejemplo, tiene 247 millones de base de pares en longitud. Éstos son hechos aunque permanecen imaginativamente asombrosos.
Menciono todo esto porque creo que está intuido en el trabajo de José Paulo, que estas obras llevan este peso metafórico pero también lo llevan en su ambigüedad esencial. O, poniéndolo en otras palabras, la mente contemporánea puede hacer estas asociaciones, sin fijarlo en ella, apenas como una explicación sencilla. Hacen parte del susurro de posibilidades. Realmente, déjenme profundizarlo un poco, la obra contemporánea adopta contradicciones como algo esencial a su propia verdad. También sabe que si se debe sobrevivir como un imagen visual hace falta que lleve más que una lectura. No estoy sugiriendo que Oliveira deliberadamente plantea la contradicción, pero digo que él se siente totalmente cómodo entre ellas. Esto es lo que Kead llamó de capacidad negativa – la habilidad de vivir y sentirse cómodo entre la incertidumbre. Es un rasgo profundamente romántico, traducido de manera más pragmática por Whitehead como el principio de la incertidumbre temprano en los años 20. José Paulo, en mi opinión, se acerca de la ciencia a través de una mirada romántica, o sea, a través de la óptica de la incertidumbre poética. Creo que el arte frecuentemente funciona imaginativamente a lo largo de las mismas líneas como la ciencia, usando modelos imaginativos similares, por ocasiones, son capaces de prevaciarse la descubierta científica. Me acuerdo de un libro escrito por un biólogo inglés, Waddington, que comparó la obra de expresionistas gestual abstractos a estructuras celulares que eran visibles al microscopio pero no eran visibles al ojo humano, aún estos patrones eran intuidos en las pinturas.
Espero que haya sido capaz de sugerir que él acepte una discordia esencial como algo necesario a la armonía verdadera – entre los materiales y entre las ideas – que el focalice el proceso como un camino hacia adelante, permitiendo lo que Freud llamaba de errores o falta de atención para entrar como parte de la experiencia del trabajo. Permítame citar una frase de un ensayo de Robert Dunca que ayuda a unir la escala interpretativa que he usado para hablar sobre el trabajo de José Paulo. Duncan insiste que el proceso de exploración no es, naturalmente, un tema de mera oportunidad pero de “Deseo creativo que se comprende en su propia forma evolucionando en la obra de patrones primordiales” Es el sentido del arcaico, pero el significado actual de la forma que se ubica en el corazón de estos trabajos, estas formas llevan la mutación como un potencial propio. José Paulo sabe que se han evolucionado y seguirán haciéndolo.
Se puedo asociar la retórica de José Paulo – y otra vez, hablo del potencial que se encuentra escondido en la posibilidad – el arte tiene de ver con la historia de nuestro psique, con un evento en proceso que está ocurriendo más allá de la consciencia humana en un reino del misterio químico. Empezamos a considerar la identidad más allá de la personalidad o psique o especimenes en el drama de la biología molecular, la crisis de la vida en cuestión, y aquí el arte es dirigido por afirmaciones mayores y anteriores de que los impulsos físicos son asombrados por las urgencias moleculares que vemos tan perfectas en los cristales, en las células, y hasta en la aplicación temporaria de los vínculos químicos. Entonces, estas obras son movidas por el deseo romántico, por el deseo de que se esconda en la base de nuestra espina.
Kevin Power
2. Empecé estos trabajos cuando hice una investigación sobre la cerámica en 2001. Visité muchas olerías (oficinas de cerámica) a fin de acercarme de las formas más puras, básicas y simplificadas que esta técnica me permitía – las formas cilíndricas, ovales y cónicas; la mono quema, la quema a leña (madera) ofrecida por estas olerías. Además con esta pesquisa surgió la preocupación con la genética y la manipulación biológica, la ética y la reproducción, las formas biológicas y las microscópicas, las piezas de laboratorios y los planetas (macro y microcosmos). Las piezas que van a ser mostradas en la bienal son cinco esculturas circulares en hierro. Ellas llevan a la idea de estructuras moleculares o componentes micro celulares biológicos. Su diseño es sencillo y hecho por líneas geométricas que sugieren diseños computadorizados. La cerámica entra como el elemento más orgánico, son centenas de huevos, o células, o micro elementos. El encuentro con los dos elementos: hierro y cerámica crea una tensión. Pues, ambos son materiales rústicos y arcaicos. Pero son usados para discutir temas actuales.
La preocupación central de esta obra es la discusión sobre la manipulación genética y biológica; ética, reproducción y los posibles caminos de la humanidad.
Duncan R., The Truth and Life of Myth, The Sumac Press, Michigan, 1973, p.46

