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Recortes – 1995
Raul Córdula
José Paulo trabalha com a arte de maneira eclética. Sua formação de arquiteto certamente lhe rendeu grande facilidade nos diálogos teóricos entre forma e conteúdo, e sua prática artística constante o transformaram em um especialista no equilíbrio entre volume e cor. Desenhista, pintor, escultor e ceramista, sua obra se desenvolve entre materiais e técnicas apuradas.
Dono de uma coerência formal exemplar, sua batalha com a arte se dá também em vários campos da linguagem. Por isso o binômio forma/conteúdo vibra tanto em sua arte.
Do ponto de vista da forma ele atua a partir da visão de que a obra de arte deve atender ao prazer dos sentidos. A beleza luminosa de seu território visual se reflete em sua figurações, a simbologia da violência, psicológica, porém, aparece nas sugestões que seus objetos e relevos nos transmitem.
Na abordagem do significado sua obra recente traduz a atualidade da sua cabeça e a generosidade do seu coração.
A atualidade se revela na concepção da pintura configurada, onde a tela (placas de madeira) é recortada no contorno da composição, o que nos leva à discussão do suporte da arte. Por outro lado a cerâmica de técnica tradicional é utilizada a partir de formas e expressões contestadoras.
As obras seriadas que têm como suporte a superfície da parede estão próximas da linguagem informatizada. Nela o sentido lúdico da arte torna-se um elemento mais-que-perfeito de sedução e curiosidade. Superfície versus suporte é uma questão que permanece na arte atual, ocorrendo na obra de artistas que aprofundam a visão da arte como “coisa mental”.
Generosidade faz parte do artista. Alguns, porém, a utilizam no próprio contexto da obra quando, como faz José Paulo, dirige ao seu público a expressão das oposições entre razão e sentimento, criando assim um permanente diálogo, uma possibilidade constante de emocionar com suas representações simbólicas do Universo.
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Recortes – 1995
Raul Córdula
José Paulo deals with art in an eclectic manner. His background as an architect has certainly provided him with great ease as to the theoretical dialogue between form and substance, and his constant practice as an artist have made of him an expert in the balance of volume and color. As a designer, painter, sculptor, and ceramist his work unfolds amongst materials and refined techniques.
With his outstanding formal coherence, his undertakings in art also take place in various fields of expression. This is why the binomial form/substance conveys such vibration to his art.
As far as form is concerned, he is impelled by the perspective that a work of art has to satisfy the pleasure of senses. The sparkling beauty of his visual territory is reflected in his figurations, the symbology of violence, also psychological, however, appearing in the suggestions that his objects and reliefs impart to us.
In the approach of meaning, his recent work translates the up-to-dateness of his mind and generosity of his heart.
This up-to-dateness reveals itself in his conception of configured painting, where the canvas (wooden boards) is trimmed along the contours of the composition, whtich leads us to the discussion of what is indeed the support of art. On the other hand, the use of ceramics as a traditional craft emerges from contesting forms and shapes.
The serial pieces with the wall surface as their support are quite close to computerized language. In them, the playful meaning of art becomes a more-than-perfect element of enticement and curiosity. Surface versus support is a question that remains an issue in present-day art, occurring in the work of artists who enhance the conception of art as a “mental thing”.
Generosity is part of the artist. Some artists, however, use it within the context of their work itself, as José Paulo does, when he conveys to his public the expression of the opposition between reason and feeling, thus opening the door to a permanent dialogue, in a constant attempt of arousing emotion through his symbolic portraits of Universe.

